segunda-feira, 25 de junho de 2007

O Cavalo da Cidade




O Cavalo da Cidade

A chicotada me fez acordar para a aberração
A cabeça baixa me fez pensar sobre... e quase chorei
Me odiei ao saber que pertenço a espécie dominante
E em ainda mais raiva tive de mim, ao perceber minha impotência

Ainda com olhos fechados, imaginei...
Tempos atrás, planícies verdes...
Galopes ágeis e o vento na cara.
Grupos em completa liberdade. Na sua essência.

O Potro mais jovem apostava corrida com o espírito...
Corria atrás da silhueta que a sobra da águia fazia.
Galopava feliz, e bebia água em SEU rio.
Tinha um dono, que se chamava liberdade.

O filho do Potro foi apanhado e levado.
Talvez pelo meu tataravô, homem gentil por sinal.
Embora tivesse um amigo beberrão.
Tratou o filho do potro como seu filho

O beberrão surrava outros.

Ali se perdia uma essência, a da liberdade...
E se cometia um crime a escravidão.
O amor poderia até existir...
Mais o amor próprio havia morrido.

O filho do Potro, teve um filho
E esse nem sabia quem era o tal liberdade
Que criou o seu avô.
O seu pai lhe falou do amor que recebia do meu tataravô.

Não sei quantas gerações já se passaram.
Mas hoje vi, um desses belos animais,
Amarrado, chicoteado, selado e guiado
Por um beberrão.

Imaginei que o amigo do meu tataravô tivesse vida eterna.

A cabeça baixa daquele belo cavalo
Não sonhava mais.
A nele não havia nem uma vaga lembrança
Do dono liberdade

O amor também havia acabado.
Não estava domesticado
Estava escravizado.
Fadado a falecer carregando entulhos.
Lixo que produzi ontem.

E como me odiei

E tudo pode ser ainda pior.
Quando desejei a morte
Não a minha...
Mas do Cavalo.

Tentando com orações...
Que ele pudesse em outro lugar
Correr atrás da sombra da Águia.
Que ele pudesse voltar a galopar

Por planícies mais belas
Que pudesse transforma-se em corcel
E que voltasse a correr
Sobre as nuvens da liberdade.


Jonathan Cabo.

Um comentário:

Ana Carolina disse...

Acho que cabe Cecília...

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Bjs,

Ana